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O agro não é pop

ONOFRE RIBEIRO (*)


A esperada e ao mesmo tempo inesperada cassação da senadora Selma Arruda, expôs a política de Mato Grosso. Despreparada, seria o termo mais adequado. Porém, alguns setores se expuseram mais do que outros.

A eleição de um novo senador no primeiro semestre de 2021, já insinua nomes e mais nomes. Nenhum consenso! Isto é ruim, mas também é bom! Nestes dias conversei com líderes de vários segmentos da economia e da sociedade geral. O sentimento é de expectativa. Vamos por partes. O agronegócio, por ser a porta de entrada da economia estadual e o agente pras demais áreas de comércio, serviços, indústria e transportes, precisa de um representante de peso no Congresso. Selma Arruda se dizia representante porque recebeu financiamento de alguns produtores isolados. Sem ela resta o senador Jaime Campos que odeia o agro. Welinton Fagundes é genérico.

Na Câmara dos Deputados o agro é genérico. Dessa forma a eleição de um senador no ano que vem abre as portas pra um setor que não pode deixar de ter um representante no Senado como já teve Jonas Pinheiro e Blairo Maggi. Porém, o agro são muitos. Está muito dividido. Na visão de alguns grandes produtores, a maioria enriqueceu e quer caminhar sozinha ou não se interessa pela política. Principalmente os herdeiros em segunda geração. Em 2002 o produtor Blairo Maggi representou o ainda fraco agro no poder político. Veio como legítimo homem do campo. Foi a tese da botina no lugar do tênis.

Hoje Blairo já não é consenso no meio. Aliás, o meio não tem qualquer consenso. A tendência é repetir 2018, quando lançou Carlos Fávaro e Adilton Sachetti, Nilson Leitão. Perderam todos. Se isso acontecer de novo, vai repetir o mesmo erro. O ex-senador Blairo Maggi, e Antonio Galvan, presidente da Aprosoja não crêem em candidatura de consenso. Acreditam em muitas candidaturas em nome do agro. Derrota certa. Outros setores não tem nomes. Ou, melhor, têm, mas o cenário é muito incerto. Se o agro errar, um outsider entra e ganha o mandato. Os demais setores da economia estão muito mais desarticulados e alienados do que a agronegócio.

Portanto, no atual ambiente de intolerância da sociedade com os políticos, a tendência está muito mais para um outsider se eleger sem compromisso com este ou aquele setor da economia ou das corporações públicas, também detestadas pela sociedade.

Aliás, encerrando. Selma Arruda elegeu-se como uma outsider. Corre-se o risco de outro ou outra outsider vir a substituí-la. A política já não é mais a mesma.


(*) Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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