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A fatura de 1930 – 2

ONOFRE RIBEIRO


No artigo de ontem a tentativa foi a de conectar a construção da história política brasileira atual com a revolução de 1930. O sentido é o de conectar a enorme crise política atual com a construção histórica dos partidos e dos políticos brasileiros ao longo desses últimos 70 anos. Logo, o que temos hoje não nasceu hoje.

No artigo de hoje retorno a 1985, quando acabou a série de cinco governos militares iniciada em 1964. Em 1967 restavam ainda os 13 partidos anteriores formados a partir da redemocratização de 1946. Três eram relevantes: Partido Social Democrático-PSD, representante do setor rural e do capital. União Democrática Nacional-UDN, representante da classe média urbana nascente no país. E o Partido Trabalhista Brasileiro-PTB, representante da emergente classe trabalhadora urbana. Os demais seguiam a onda dos três grandes.

Com a extinção de todos os 13 partidos pelos militares em 1967, foram criados no lugar dois partidos. Um, alinhado com o governo militar, a Aliança Renovadora Nacional – Arena, e outro de oposição, o Movimento Democrático Brasileiro – MDB. Nos dois partidos alojaram-se os políticos históricos que vinham de 1946 e seus descendentes. Herdeiros são coisa antiga na política brasileira. Quem era do PSD e do PTB, migrou maciçamente pra Arena. Pro MDB, basicamente os que eram filiados a partidos de esquerda como o PSdoB e PCB. E alguns de partidos como PSD, PTB e UDN. Mas eram minoria e começaram do zero a oposição aos militares. Naqueles partidos surgiram as gerações que ainda gravitam em torno do poder através dos seus descendentes diretos ou herdeiros dos partidos que surgiram depois de 1985.

Basicamente, ao fim do regime militar, a Arena virou PDS- Partido Democrático Social, depois Partido da Frente Liberal-PFL, e o MDB, virou PMDB. O Partido dos Trabalhadores – PT, só surgiria em 1981, dentro de uma conjuntura social, política e econômica muito complexa. O Brasil estava quebrado por duas sucessivas crises mundiais do petróleo que arrasou comas finanças e com a economia nacional, derrotando junto os governos militares. O PMDB se divide já na falta de unidade ideológica em 1988 e cria-se o PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira. Junto vão as lideranças moderadas e mais cultas do PMDB. Mas até aqui, exceção do PT que nascera depois com direção definida, os demais partidos tentavam encontrar espaços depois da redemocratização do país.

Eleito em 2002, com 53 milhões de votos, Lula, do PT, ganhou na quinta tentativa de ser presidente. Trazia uma forte carga ideológica produzida dentro da Igreja Católica, das universidades, das associações de bairros e dos sindicatos. Mas Lula não conseguiu, apesar da votação extraordinária, fazer maioria no Congresso Nacional. Com todo esse peso de votos, Lula viu-se impedido de governar pelo fisiologismo do Congresso. Iniciou uma compra aberta de votos e loteou o governo pra conseguir manter ideais partidários e projetos do governo. Acabou no conhecido Mensalão em 2005. Aqui faço um parêntese: a imensa votação de Lula, não o impediu de tornar-se refém do Congresso Nacional. Seus dois governos acabaram sendo um híbrido do PT e do PMDB. Água e óleo dentro do mesmo copo.

Tal e qual Bolsonaro hoje. Ou compõe com o Congresso formado por aqueles líderes pós-revolução ou por seus herdeiros. Todos travestidos com as vestes de vendedores e compradores de apoio político, que eles cinicamente chamam de governabilidade!



Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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